A ACRO é, desde 1995, a responsável pela gestão do Livro Genealógico e do Programa de Melhoramento da raça ovina Saloia. Tem como objetivos a preservação e o desenvolvimento da raça, promovendo o seu progresso genético com base na execução do plano de melhoramento aprovado.

Para os serviços executados no Alentejo, a ACRO conta com a Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre como delegação.

Onde está a raça

A distribuição dos efetivos é muito diferente de distrito para distrito. O distrito de Lisboa, onde se encontra o solar da raça, é o que tem mais criadores, embora com rebanhos pequenos. Nos distritos de Portalegre e Évora há menos criadores, mas os rebanhos são de grande dimensão, e é aí que se encontra a maioria dos animais.

Historial

A raça Saloia parece ter tido origem no cruzamento entre merinos oferecidos pelo monarca espanhol D. Fernando VII ao rei de Portugal D. José I, alojados na Quinta do Marquês em Oeiras, com os ovinos Bordaleiros que existiam a norte e a poente de Lisboa. O relatório que precede o Arrolamento de Gados de 1870 refere que a raça de Oeiras (Saloia) procede desses merinos e que os animais tiveram inicialmente um contributo na indústria de lanifícios que o Marquês de Pombal quis desenvolver.

A especialização na produção de leite só aconteceu no fim do século XIX, entre 1880 e 1890, numa época em que a lã tinha pouco valor e os criadores aproveitaram para estimular cada vez mais a aptidão leiteira. A carne era considerada muito saborosa e o leite destinava-se sobretudo ao fabrico de queijo e manteiga.

O solar da raça localiza-se na região envolvente de Lisboa, conhecida como região saloia. A dispersão inicial levou-a para norte, até ao concelho de Torres Vedras, e para sul, até à península de Setúbal, onde, pela sua adaptabilidade e produtividade, assegurou o leite necessário ao fabrico do queijo de Azeitão, cujas origens conhecidas se situam entre 1820 e 1830. Mais tarde fixou-se também no Alentejo, sobretudo nas zonas de Portalegre e Castelo Branco, onde fornece leite para queijos regionais como o Queijo Mestiço de Tolosa.

A Raça Ovina Saloia foi oficialmente definida em 1985. Estes animais, dotados de grande rusticidade, adaptabilidade a condições adversas e boa produção leiteira, em quantidade e qualidade, continuam a conquistar produtores. Ainda assim, a raça está classificada como ameaçada de extinção: as pastagens do seu solar foram sendo ocupadas por áreas urbanas e, na península de Setúbal, o desaparecimento do pastoreio levou à substituição dos rebanhos por animais exóticos mais adequados à produção intensiva.

Características e aptidões

A aptidão leiteira foi obtida à custa de ginástica funcional e de uma seleção cuidada dos reprodutores.

A lã é do tipo merino: ondulada, frisada, fina e altosa. Os animais são designados de bruscos porque, apesar de brancos, têm a superfície do velo escura, devido ao muito sugo da lã, a que se prendem facilmente poeiras e outros corpos estranhos.

Padrão da raça

  • Pele e pelagem — pele fina, elástica e untuosa, pigmentada nas partes deslanadas (orelhas, chanfro, face e extremidades dos membros), do castanho-escuro ao castanho-claro, por vezes pardo, com ou sem malhas.
  • Velo — lã branca, por vezes com pigmentação amarelada, madeixas quadradas ou cilíndricas, muito sugo e sem pelos cábreos.
  • Cabeça — mediana, piramidal e deslanada. Fronte estreita, plana ou ligeiramente convexa. Olhos grandes, boca bem rasgada e lábios finos. Face comprida, estreita e triangular. Chanfro reto ou ligeiramente convexo. Orelhas médias, horizontais ou ligeiramente descaídas. Machos com cornos fortes e espiralados; fêmeas sem cornos ou com cornos finos em forma de foice, sempre de secção triangular, mais vincada no macho.
  • Tronco — pescoço de comprimento médio com barbela; garrote pouco saliente e costelas pouco arqueadas. Garupa ligeiramente descaída e ventre volumoso.
  • Membros — vigorosos, bem proporcionados, de tamanho médio, finos, deslanados desde um pouco acima dos joelhos e dos curvilhões.
  • Úbere — bem desenvolvido, globoso ou em fundo de saco, pele fina e elástica, sulco mediano evidente e tetos de tamanho regular.

Sistemas de exploração

Durante anos predominou o maneio tradicional, com alimentação à base de pastagens espontâneas de sequeiro, palhas e alguns fenos. Os prados semeados eram raros e as rações de concentrado quase exclusivas das explorações com ordenha mecânica. Hoje, a maioria dos produtores tem ordenha mecânica e recorre a alimento composto nas duas ordenhas diárias.

O peso ao nascimento é de 3 a 4 kg. As crias são amamentadas durante cerca de 4 semanas; as que não ficam para reprodução seguem para abate com a designação de borregos de canastra. Machos e fêmeas destinados a futuros reprodutores são amamentados até aos 2 a 3 meses.