A raça Saloia parece ter tido origem no cruzamento entre merinos oferecidos pelo monarca espanhol D. Fernando VII de Espanha ao Rei de Portugal D. José I e que foram alojados na Quinta do Marquês em Oeiras, com os ovinos Bordaleiros que existiam a norte e a poente de Lisboa. No relatório que precede o Arrolamento de gados de 1870 refere-se que a raça de Oeiras (Saloia) procede dos merinos oferecidos pelo rei de Espanha ao rei português no século XVIII, e que estes animais tiveram inicialmente um contributo na indústria de lanifícios que o Marquês de Pombal quis desenvolver. Posteriormente a especialização da produção de leite que caracteriza esta raça só aconteceu no fim do século XIX, 1880 a 1890, época em que as lãs tinham pouco valor e os criadores aproveitaram para estimular, cada vez mais, a aptidão leiteira. A sua carne era então considerada muito saborosa e o leite produzido destinava-se, essencialmente, ao fabrico de queijo e manteiga.
O Solar da Raça localiza-se sem dúvida na região envolvente de Lisboa, conhecida como região Saloia, mas a dispersão inicial da raça levou-a para norte até ao concelho de Torres Vedras e para sul onde se implantou na península de Setúbal onde pela sua adaptabilidade e produtividade foi capaz de de assegurar o leite necessário para o fabrico do queijo de Azeitão, cujas origens conhecidas se situam entre 1820-30. Mais tarde este animais fixaram-se também no Alentejo nomeadamente na zona de Portalegre e Castelo Branco onde são fornecedores de leite para os queijos regionais tal como o Queijo Mestiço de Tolosa.
A Raça Ovina Saloia, foi oficialmente definida em 1985, considerada de aptidão predominantemente leiteira, constitui uma das poucas raças autóctones com essa aptidão.
Estes animais dotados de grande rusticidade, adaptabilidade a condições adversas, boa produção leiteira qualitativa e quantitativa, ainda continuam a conquistar os produtores, estando porém atualmente classificada como ameaçada de extinção. Esta situação deveu-se ao gradual desaparecimento que sofreu no seu solar, motivado pela progressiva ocupação das pastagens pelas áreas urbanas e principalmente na região da península de Setúbal o também progressivo desaparecimento das pastagens entre outros constrangimentos levou a uma miscigenação e substituição nos rebanhos com animais exóticos mais adequados a uma produção intensiva, que acabou por substituir a produção tradicional baseada no pastoreio.
Características e aptidões
A especialização da produção de leite que caracteriza esta raça foi obtida à custa de ginástica funcional e só aconteceu no fim do século XIX, 1880 a 1890, época em que as lãs tinham pouco valor e os criadores aproveitaram para estimular, cada vez mais, a aptidão leiteira. Além disso, houve uma esmerada seleção dos reprodutores quanto à aptidão leiteira.
A lã destes ovinos é como a do tipo merino, ondulada frisada, fina e altosa.
Os animais desta raça são designados de bruscos, porque apesar de brancos têm a superfície do velo escura, o qual é devido ao muito sugo da lã a que se prendem facilmente poeira e outros corpos estranhos que a sujam.
Padrão da Raça
Pele e pelagem - Pele fina elástica e untuosa, pigmentada nas partes deslanadas (orelhas, chanfro, face e extremidade dos membros), variando a pigmentação desde o castanho-escuro ao castanho claro por vezes pardo, apresentando ou não malhas;
Velo - De lã branca, por vezes com pigmentação amarelada com madeixas quadradas ou cilíndricas, muito sugo e sem pelos cábreos;
Cabeça - Mediana, de forma piramidal e deslanada. Fronte estreita, plana ou ligeiramente convexa.
Olhos grandes. Boca bem rasgada e de lábios finos. Face comprida, estreita e de forma triangular.
Chanfro reto ou ligeiramente convexo. Orelhas médias, horizontais ou ligeiramente descaídas. Machos com cornos fortes e espiralados e fêmeas sem ou com cornos finos e em forma de foice, em qualquer dos casos de secção triangular, mais vincada no macho;
Tronco - Pescoço de comprimento médio com barbela; o garrote é pouco saliente e as costelas pouco arqueadas. A garupa é ligeiramente descaída e o ventre volumoso;
Membros - Vigorosos, bem proporcionados, de tamanho médio, finos, deslanados desde um pouco acima dos joelhos e dos curvilhões;
Úbere - Bem desenvolvido, de forma globosa ou em fundo de saco, pele fina e elástica, sulco mediano evidente e tetos de tamanho regular.
Sistemas de exploração
Durante anos, o sistema de exploração mais seguido era o de maneio tradicional em que as fontes alimentares eram à base de pastagens espontâneas de sequeiro, palhas e alguns fenos, e o recurso a prados semeados, quer de sequeiro quer de regadio, era raro. As rações de concentrados eram quase exclusivas de explorações que dispunham de ordenha mecânica. Atualmente, os produtores possuem na sua maioria sistemas de ordenha mecânica e como tal, recorrem ao alimento composto para administração nas duas ordenhas diárias.
O peso ao nascimento é de 3 a 4 kg, e todas as crias são amamentadas durante 4 semanas aproximadamente, findas as quais as que não são destinadas à reprodução são encaminhadas para abate com a designação de “borregos de canastra”. Os machos e as fêmeas destinadas a futuros reprodutores são amamentados até aos 2 a 3 meses de idade.